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Três artigos relacionados à identidade de São José dos Campos e a busca por um suvenir que lhe fizesse justiça foram publicados recentemente pelo O VALE (por Sheila Faria, Dr. Georges Salim Assaad Junior e pelo Deputado Emanuel Fernandes). A reincidência ao tema, a meu ver, é motivada pela busca de uma identidade coletiva e do futuro desejado pelos que aqui compartilham o mesmo ar e terras generosos, lembrados em nosso brasão. Foram citados nos referidos artigos acima alguns marcos na paisagem da cidade como potenciais símbolos e por isso lembrei-me do trabalho realizado pelo Prof. MsC. Veridiano Miura, em 2006, em que por ocasião da sua dissertação de mestrado sobre a Imagem Construída e a Imagem Percebida, fez um levantamento da percepção dos marcos referenciais urbanos pelos cidadãos joseenses. Os resultados demonstraram que o Banhado foi considerado por 36% dos entrevistados como o marco mais importante da cidade e por 55% dos entrevistados como o melhor símbolo da cidade, em ambos os casos seguido pelo Parque da Cidade, com respectivos 17% e 20% das respostas. Embora reconheça a importância de marcos urbanos como o Banhado ou, em outro âmbito, o setor aeroespacial citado pelo Dep. Emanuel Fernandes, como símbolos importantes, penso que eles servem somente para o começo da discussão sobre o que é, afinal, a identidade de São José dos Campos.

Compartilho da opinião do Dr. Georges Salim Assaad Junior em seu texto quando diz que “o símbolo maior de São José dos Campos é imaterial: a força de nossa gente” e, por isso, compreender a subjetividade da relação deste cidadão com a cidade parece ser fundamental ao se tratar da identidade que queremos valorizar. O IPPLAN, Instituto de Pesquisa Administração e Planejamento, realizou no início deste ano uma pesquisa qualitativa sobre a percepção dos cidadãos sobre a cidade e especialmente sobre o Centro, em função do Plano Estratégico Centro Vivo. Ao personificar a cidade, cidadãos entrevistados caracterizavam a cidade mais como um pai do que como uma mãe, reconhecendo que a cidade é acolhedora o suficiente para que tantos venham de outros lugares e consigam construir a vida aqui, encontrando o necessário para os estudos, trabalho e criação de filhos. No entanto, a pesquisa mostra que há certa ambiguidade em muitos dos sentimentos relatados por conta da falta de “afeto” da cidade para com seus cidadãos. É uma cidade reservada, que merece toda a gratidão, mas que não encoraja grandes expressões de afeto. Lembrei-me de ter escutado muitas vezes de outros joseenses expressões do tipo: - Gosto muito de São José. Em lugar de: - Eu adoro São José! É um elogio mais comedido e quase sempre seguido de uma justificativa racional para o comentário. É como se a cidade não encorajasse muita paixão e não se preocupasse em seduzir ninguém (nem ‘um mimozinho aos fãs’, como disse a Sheila Faria).

Enquanto discutimos ‘o que’ é a nossa identidade, surge outra questão paralela que é ‘para que’ discutir nossa identidade? O que se pretende ao delineá-la? Por que fazê-la caber em um suvenir? Queremos representar o passado? Podemos projetar esta identidade no futuro? Ela conseguirá nos inspirar?
Sim, é possível projetar uma identidade quando, segundo o sociólogo Manoel Castells, “...atores sociais (...) constroem uma nova identidade capaz de redefinir sua posição na sociedade e, ao fazê-lo, buscar a transformação de toda a sociedade.” Considero a reflexão sobre esta identidade joseense e sua capacidade de fomentar um grande debate sobre como, para quem e para quê projetá-la, a parte mais importante de toda a discussão em torno dos suvenires. 
Os candidatos ao executivo e ao legislativo municipal fariam um grande serviço à cidade ao liderar a construção de uma visão de futuro para nossa cidade, que é a projeção de como será esta identidade joseense nos próximos anos, de modo que a vontade de concretizá-la faça emergir o que há de melhor em nossa gente. Os talentos e os recursos já estão aqui, esperando o fio condutor que irá nos unir em torno de um projeto de cidade que norteie o próximo ciclo de desenvolvimento e, de quebra, deixe São José muito mais sedutora.

Termino com essa frase do Ítalo Calvino para inspirar meus conterrâneos:
“...das inúmeras cidades imagináveis, deve-se excluir aquelas em que os elementos se juntam sem um fio condutor, sem um código interno, uma perspectiva, um discurso.” Ítalo Calvino, em Cidades Invisíveis.

Guilherme A. C. Freire da Rosa

Analista de Planejamento SR

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